6 campos que o redator web deve estudar e colocar em prática

Dicas de carreira

Conheço várias pessoas que gostam de escrever. Uma parcela tem textos muito bons. No entanto, apenas redigir bem é pouco para a Internet. Isso porque o redator web precisa ter conhecimentos bem além do português.

Ressalto ainda que o mundo, inclusive da escrita na web, será cada vez mais dos criativos. A Inteligência Artificial já chegou a algumas redações, grandes, diga-se de passagem. O Le Monde, L’Expres, Radio France, Les Echos, Le Parisien e Forbes já têm redatores robôs. Eles trabalham em matérias como divulgação de resultados das eleições, disputas esportivas e dados da bolsa de valores.

A boa notícia é que essas máquinas são incapazes de fazer um conteúdo analítico e muito menos criativo. Ou seja, para aqueles textos que fazem os olhos brilharem, jornalistas, publicitários e outros profissionais com capacidade de análise significativa têm lugar garantido.

No entanto, como eu disse no início, para fazer os olhos do leitor brilharem e seu texto ser encontrado nos canais on-line, é preciso ir além da boa redação. Ao longo dos anos que escrevo, com muita paixão, conto com um feeling sim. Costumo brincar que às vezes ligo o modo Chico Xavier, escrevo como se tivesse baixado um espírito em mim, depois volto no material para lapidar. Mas fui atrás de conhecimentos que fazem a diferença, são eles:

Jornalismo

Foi a graduação que fiz. O que há de mais interessante no jornalismo para os textos on-line, principalmente os redigidos para marcas, é a ancoragem em fontes seguras. Pode ser uma instituição que seja referência no setor da empresa para a qual você escreve e divulgou uma pesquisa, por exemplo.

Com o objetivo de tornar os profissionais da empresa que você atende referência no mercado, coloque as informações técnicas “na boca da fonte”, como falamos no jornalismo.

Outro ponto importante do jornalismo é a adequação da linguagem ao público. Os trabalhos feitos para os clientes das empresas sempre me levam a pensar qual informação é realmente válida e como preciso escrever para que ele entenda.

Assim, se o contratante me fala um termo técnico sempre tenho o cuidado de traduzi-lo. É como se fosse uma matéria policial, nunca irei usar um termo como oitiva (sabe o que é?) a menos que seja dirigido para os colegas de profissão de quem usou o jargão. Também tenho o cuidado, quando é um material com vídeo de apoio, de falar para o profissional se lembrar de usar palavras acessíveis.

Redação publicitária

Textos publicitários são concisos, falam muito com poucas palavras. Essa característica tem a ver com alguns textos de Internet: Terra de textões (artigos, principalmente) e textinhos (para redes sociais).

Assim, é essencial que em 500 palavras ou 140 caracteres o redator web consiga despertar a curiosidade do leitor. Nos textinhos, se for feito para uma empresa, o redator deve estar muito atento a levar o internauta a um segundo passo, ler um textão com mais informações ou fazer uma compra no site da loja, por exemplo.

Ao contrário dos textos jornalísticos, nas peças publicitárias a linguagem pode ser bem próxima do público. Textos dirigidos para o leitor, com vocativos como você, palavra mais forte segundo a neurociência para captar a atenção do leitor, são muito impactantes.

Segundo Lilian S. Gonçalves, no livro Neuromarketing aplicado à redação publicitária: como atingir o subconsciente do consumidor, citando o especialista em marketing Michael Miller, na Internet ou fora dela a palavra de ação mais efetiva é você. A conclusão veio de um estudo de Miller sobre argumentação em várias peças publicitárias.

Gosto, pessoalmente, dos textos em tom de conversa, eles são lidos com facilidade, sem cansar o leitor, parecem que foram escritos diretamente para ele, com exclusividade.

Para facilitar pensar nessa “conversa”, definir uma persona, um comprador ideal com nome, idade, hábito e outros, ajuda bastante. Assim, ao escrever o redator vai pensar no que o “Pedro, jovem com 24 anos e com planos de fazer um mochilão pela América do Sul” gostaria de ouvir.

Neste entretítulo pincelei pouquíssimos aspectos da redação publicitária que são valiosos nos textos para Internet, vale a pena procurar saber mais.

Neuromarketing

Os cientistas têm feito descobertas valiosas sobre o funcionamento do cérebro que podem nos ajudar bastante nas redações para Internet. São palavras que chamam a atenção do leitor, o que desperta a curiosidade de uma pessoa e influencia o processo de decisão sem que ela saiba ao certo, no nível do inconsciente. Para começar a estudar esse assunto, indico dois livros:

  1. Neuromarketing aplicado à redação publicitária: como atingir o subconsciente do consumidor (Lilian S. Gonçalves)
  2. As Três Mentes do Neuromarketing (Marcelo Peruzzo)

Copywriting

A técnica é descrita como a arte de usar as palavras certas para gerar conversão, que vai desde um cadastro em e-mail até a compra efetiva. É usada bastante, portanto, em sites e-commerces, por quem vende cursos ou qualquer outro infoproduto. Quem estuda copywriting aprende os gatilhos mentais, call-to-actions mais importantes.

Para vender, o copywriting se baseia em identificar a dor (problema) do público para oferecer soluções, elimina possíveis objeções de compra e faz uma sequência de conteúdos pensados para o internauta vá da visitação ao fechamento da venda e seja fiel. Há várias técnicas baseadas no Neuromarketing, inclusive!  

Muitos consideram o copywriting agressivo. O uso de expressões como produto matador, melhor do mercado e compre já incomoda muita gente. Mas como em toda técnica, estude-a e adeque-a de acordo seus os princípios de comunicação da marca atendida.

Storytelling    

Histórias captam a atenção de quem as escuta ou lê. No storytelling, redatores empregam técnicas da ficção que roteiristas e escritores usam. Note que muitos livros e filmes têm estrutura parecida, clássica: apresentação do contexto, do protagonista, acontece um problema e o personagem principal da história entra em ação para resolver com um desfecho, normalmente, feliz, ou no mínimo interessante.

Quem vê ou lê a história identificasse com os personagens ou lembra de algum amigo, o que capta ainda mais a atenção do leitor/expectador.   

Quais histórias seu contratante tem para contar? E se um produto da loja contasse algo sobre a rotina? Um fato simples do cotidiano pode ser transformado em uma história interessante com criatividade. Você pode contar histórias que parecem banais de forma bastante inovadora.

SEO

O conjunto de técnicas definidas pelo Google para seu conteúdo aparecer bem posicionado nos principais buscadores são essenciais para o sucesso do texto na Internet. Ele será encontrado por mais pessoas que buscam exatamente pelo assunto sobre o qual você escreveu.

Assim, é regra que todo redator web saiba SEO. Eu recomendo os cursos on-line da Agência Mestre para começar a aprender e muita leitura.

De vez em quando a boa redação até entra em conflito com o SEO, mostrei como contorno neste outro artigo.

O interessante dessas técnicas é que você pode conciliar todas. Um bom redator web consegue unir o neuromarketing ao legado do jornalismo mais publicidade, copywriting, storytelling e SEO para escrever um texto muito efetivo. Além de estudo requer muita prática e testes para constatar o que realmente funciona.

Talita é jornalista e pós-graduada em revisão de textos. Trabalha com gestão de redes sociais e produção de conteúdo desde que se formou. Além de produzir conteúdo para sites e blogs institucionais, também se aventura nos textos literários.