Curiosidades

Como o namoro mudou: de Sílvio Santos ao Tinder

By 12 de junho de 2017 No Comments

Não é preciso ir muito longe para ver como o namoro e as outras relações amorosas com outro nome mudaram. Embora muita gente pense na época em que as pessoas sequer se beijavam no sofá com a presença dos pais, dos anos 90 para cá houve praticamente uma revolução do “amor”. Como minha praia é a comunicação, lembrei de dois momentos anteriores e do atual que evidenciam bem isso.

Nos anos 90 tínhamos o Sílvio Santos no “Em Nome do Amor”, já em 2000 a Fernanda Lima chegava com a pergunta que começou muitos relacionamentos – “Fica comigo?”. Atualmente, as pessoas que querem conhecer outras além do círculo de convivência se apresentam por conta própria, por meio dos aplicativos, como o Tinder. Entre 1990 e 2017, existem três perguntas distintas que dão frio na barriga, as quais retratam muito bem as mudanças.

1 – Quer namorar comigo?

A pergunta dava nome a um quadro do programa de Sílvio Santo, o “Em Nome do Amor”. Os interessados em participar do programa escreviam cartas, sim, gente, cartas. Dançavam de rostinho colado e no final decidiam se era “Namoro ou Amizade?”, pergunta marcante da época. E o melhoooor de tudo: ganhavam viagens até para Fernando de Noronha.   


Na época do “Em Nome do Amor”, o status de relacionamento era resumido em solteiro, namorando, casado, divorciado, viúvo. Devia ser simples explicar aos pais, pois nunca há  dúvidas do que é um namoro, diferente da minha época de adolescente que dizer que estava ficando com alguém era motivo de perder o direito a sair durante umas duas semanas, exagero, confesso, mas era tenso. Dava briga e trabalho explicar.   

2 – Fica comigo?

Com a Fernanda Lima de cupido, o “Fica comigo”, da MTV, representa uma época. O termo “ficar” para compromissos menos sérios do que os namoros, dominou os anos 2000 e é usado até hoje. Repito, dava quase morte explicar que não era coisa errada, os pais ficavam horrorizados, pelo menos os meus.

No vídeo abaixo, momentos hilários e históricos do programa. 

 

3 – Deu match?

Casei em 2013 e sempre preciso de explicações para os termos novos sobre namoro – crush, shipar, nudes, funcionamento de aplicativos e afins. Nunca me cadastrei em um app e não faço ideia de como seja procurar alguém para um encontro no Tinder e outros. Nada contra, pelo contrário. Observo o fenômeno como quem trabalha com comunicação digital e precisa entender como as pessoas se comportam, tem tudo a ver, pode acreditar.

O que vejo é que é tudo mais simples e complexo ao mesmo tempo. Nos aplicativos ninguém tem que escrever carta, pegar avião para conhecer alguém, a menos que queira. É possível encontrar alguém bem perto ou longe, não tem sofrência, basta configurar com o que deseja. Há alguns outros apps que têm como propósito, inclusive, sinalizar pessoas bastante próximas.

Há relatos de amigos que reclamaram de a afinidade, levada em conta na maioria dos aplicativos, não ser suficiente para que o encontro seja bom. Encontrar alguém é bem complexo mesmo, vai bem além dos algoritmos dos aplicativos. Também conheço histórias bem-sucedidas, de gente que subiu ao altar por causa de vários matchs.

Interessante é que foi feita uma pesquisa que as pessoas no Reino Unido tem preferido usar aplicativos a sair para a balada em busca de alguém. Os motivos são variados:

  • 60% disseram que preferem os aplicativos à balada porque conseguem avaliar os perfis das pessoas antes da primeira conversa, o que evitaria alguns sustos

    19% conhecem mais pessoas pelo app do que quando saem

    11%  alegam não ter tempo para sair

    10% podem conhecer pessoas de qualquer parte, é muito útil quando se muda de cidade ou se está viajando (Fonte: Match Group e Tech Tudo)

Certo é que as maneiras de encontrar alguém especial ou para breves momentos continuará a mudar. O que permanece é a necessidade do ser humano de se relacionar. Eu vou continuar observando e morrendo de rir dos vídeos do “Em Nome do Amor”.

programas de namoro - em nome do amor, fica comigo

Feliz dia dos namorados para quem já encontrou um par, independente da forma que foi a busca!

 

Talita é jornalista e pós-graduada em revisão de textos. Trabalha com gestão de redes sociais e produção de conteúdo desde que se formou. Além de produzir conteúdo para sites e blogs institucionais, também se aventura nos textos literários.